O batismo de Jesus – II

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“Podemos imaginar a impressão extraordinária que a figura e a mensagem de João Batista deviam provocar na efervescente atmosfera de Jerusalém daquela época. Finalmente estava de novo ali um profeta, cuja própria vida o identificava como tal. Finalmente se anuncia de novo a ação de Deus na história. João batiza com água, mas o “maior”, aquele que batizará com o Espírito Santo e com o fogo, já se encontra à porta. Por isso não devemos, de modo algum, considerar exageradas as informações de
S. Marcos: “Toda a Judéia e todos os habitantes de Jerusalém corriam para
ele; confessavam os seus pecados e deixavam-se batizar por ele no Jordão”  (1,5). Do batismo de João faz parte a confissão — a declaração dos pecados; o judaísmo daquele tempo conhecia várias confissões formalmente genéricas dos pecados, mas também a confissão totalmente pessoal, na qual eram enumerados cada um dos atos pecaminosos (Gnilka, Das Matthäusevangelium I, p. 68). Trata-se de vencer verdadeiramente a existência até então pecadora, de partir para um vida nova, para uma vida transformada.

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O decorrer do batismo simboliza isso. Aí está, por um lado, a simbologia da morte no ato de mergulhar, por trás do qual se encontra a simbologia da morte provocada pelo dilúvio exterminador e demolidor. O oceano aparecia no pensamento antigo como a permanente ameaça do cosmo, da Terra; o dilúvio original, que podia sepultar toda a vida. No ato de mergulhar, o rio podia também assumir esta simbologia. Mas como corrente ele é principalmente símbolo da vida: as grandes correntes — o Nilo, o Eufrates, o Tigre — são os grandes doadores da vida. Também o Jordão é fonte de vida para o seu ambiente — até hoje. Trata-se de purificação, de libertação da sujidade do passado, que pesa sobre a vida e a desfigura; de recomeço; e isso quer dizer: morte e ressurreição, portanto, começar a vida de novo. Pode-se dizer então que se trata de
renascimento. Tudo isto só será expressamente desenvolvido na teologia cristã do batismo, mas já está presente na descida e na subida do Jordão. ”

Bento XVI, Papa, em Jesus de Nazaré.

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