Literature and journalism

“Wherever society abides, it uses a mode of speech proper to its state; and the mode of speech of the material plane is the newspaper. The characteristic utterance of the spiritual plane, on the other hand, is literature. But, owing to our unspirituality, literature for the time being languishes. Journalism, the lower voice, attempts to counterfeit the tones of the higher, but the result is counterfeit. So long as journalism attends to its own (material) business, it is not only harmless, but useful; but as soon as it would usurp what is organically above it, it becomes hurtful; not only because it does not give us what it pretends to give, but because the plausibility of that pretence may lead us to accept it as genuine, and thus atrophy the faculties whereby literature, the true voice of the spiritual, is apprehended.”

Julian Hawthrone, escritor americano, em “Journalism the Destroyer of Literature,” The Critic, Vol. XLVIII, 1906.

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Decálogo da saúde mental

“Quem se convenceu de que seu mal-estar provém do mau funcionamento de suas faculdades mentais, com resultantes alterações em seu sistema nervoso e muscular, apesar da integridade de todos os órgãos vitais (coração, pulmão, estômago etc.):

I. Comece por aprender a descansar, exercitando com naturalidade o mais fácil de nossos atos cognoscitivos, a sensação consciente, que ao mesmo tempo o tonifica e tranqüiliza. Se a tensão e a ·fadiga são muito grandes, descanse antes por alguns dias, trocando de ambiente e ocupação, viajando etc.

II. Treine logo em fazer com perfeição e sem tensão alguma o segundo ato cognoscitivo, mais ativo: concentrar sua atenção numa sucessão de sensações ou imagens ou raciocínios, que já não se percebem pelos sentidos. Procure ter uma ideia só em seu trabalho (monoideísmo);

III. Na segunda ou terceira semana, sem abandonar de todo os exercícios anteriores, fortaleça sua vontade com decisões bem concretas e graduadas, executando-as pontualmente, subjugando qualquer indecisão;

IV. Adestrados já o entendimento e a vontade, corrija o que há de anormal em seus sentimentos e emoções. Para isto, distraia sua atenção da ideia ou imagem que os produz, substituindo-a, quando aparece na consciência, sensações ou concentrações diferentes e, sendo possível, agradáveis;

V. Modifique logo a mesma ideia, interpretando o acontecimento da maneira diferente, procurando ver o lado bom da dor até chegar a aceitá-la movido pela razão ou pela fé;

VI. Troque o sentimento e a tendência negativa por outra positiva e até oposta. Faça atos repetidos positivos ou algum ato muito intenso e fomente os pensamentos c atitudes do sentimento que deseja. Cultive as emoções positivas;

VII. Que o seu proceder e sua expressão sejam “como se” estivesse seguro, feliz, até que, pela repetição de ideias, sentimentos e atos, se forme e arraigue o novo hábito positivo;

VIII. Simultaneamente, com todo este tratamento, repare os desgastes neuromusculares que a tensão psíquica produz, acostumando a seus músculos ao exercício e ao devido relaxamento, tanto na vigília como no sono, não maltratando sua energia nervosa com movimentos inúteis ou posturas hipertensas;

IX. Evite os excitantes nas comidas e procure elementos vitais a seu organismo com uma respiração sã e exercício físico moderado (de acordo com a sua idade). Tenha uma alimentação sadia e bem equilibrada;

X. Aceite a realidade que não puder modificar Procure fundamentar nela seu ideal e colocá-lo ao abrigo das alternativas humanas, entrelaçando-o com as sublimidades eternas e divinas.”

Narciso Irala, sacerdote e psicólogo espanhol, em Controle Cerebral e Emocional.

The pursuit of irrelevant knowledge

 

“Respect for children means respect for the adults that they will one day become; it means helping them to the knowledge, skills, and social graces that they will need if they are to be respected in that wider world where they will be on their own and no longer protected. For the teacher, respect for children means giving them whatever one has by way of knowledge, teaching them to distinguish real knowledge from mere opinion, and introducing them to the subjects that make the mind adaptable to the unforeseen. To dismiss Latin and Greek, for example, because they are not “relevant” is to imagine that one learns another language in order, as Matthew Arnold put it, “to fight the battles of life with the waiters in foreign hotels.” It is to overlook the literature and history that are opened to the enquiring mind by these languages that changed the world; it is to overlook the discipline imparted by their deep and settled grammar. Ancient languages show us vividly that some matters are intrinsically interesting, and not interesting merely for their immediate use; understanding them the child might come to see just how irrelevant to the life of the mind is the pursuit of “relevance.”

Moreover the pursuit of irrelevant knowledge is, for that very reason, a mental discipline that can be adapted to the new and the unforeseeable. It is precisely the irrelevance of everything they knew that enabled a band of a thousand British civil servants, versed in Latin, Greek, and Ancient History, to govern the entire Indian sub-continent — not perfectly, but in many ways better than it had been governed in recent memory. It is the discipline of attending in depth to matters that were of no immediate use to them that made it possible for these civil servants to address situations that they had never imagined before they encountered them — strange languages, alphabets, religions, customs, and laws. It is no accident that it was a classical scholar — the judge Sir William Jones, founder of the Asiatic Society of Bengal in 1788 — who did the most to rescue Sanskrit literature from oblivion, who introduced the world, the Indian world included, to the Vedas, and who launched his contemporaries on the search for the principles and repertoire of classical Indian music.”

Roger Scruton, filósofo britânico, em  “The Virtue of Irrelevance,” Future Symphony Institute, January 2017.

Amor Humano

“Para viver com maior sinceridade e constância o amor humano devemos descobrir as boas qualidades e desculpar os inevitáveis defeitos da pessoa que se quer amar. Pensemos quanto devemos aos concidadãos e aos nossos próximos. Não esqueçamos por causa de um deslize ou defeito atual, os muitos benefícios que deles já recebemos. Vejamos suas qualidades humanas e se estas não brilham, descubramos neles os dons divinos: são filhos de Deus e herdeiros do Céu. O Pai Celestial os ama com amor infinito e recebe com feito a Ele tudo o que lhes façamos. Com estes pensamentos na mente será fácil falar bem deles e falar-lhes com tom de apreço e com o sorriso no rosto: será fácil ajudá-los, servi-los, sacrificar-se por eles. E detrás dos pensamentos de apreço e atos e as expressões de amor, formar-se-á e aumentará o sentimento de simpatia e a emoção e virtude do amor.”

 

Narciso Irala, sacerdote e psicólogo espanhol, em Controle Cerebral e Emocional.

Ditoso seja

 

“Ditoso seja aquele que somente
se queixa de amorosas esquivanças;
pois por elas não perde as esperanças
de poder n’algum tempo ser contente.

Ditoso seja quem, estando ausente,
não sente mais que a pena das lembranças;
porqu’, inda que se tema de mudanças,
menos se teme a dor quando se sente.

Ditoso seja, enfim, qualquer estado
onde enganos, desprezos e isenção
trazem o coração atormentado.

Mas triste quem se sente magoado
d’erros em que não pode haver perdão,
sem ficar n’alma a mágoa do pecado.”

Luís de Camões, poeta português, em Sonetos.

Leonardo Coimbra e a filosofia portuguesa

“O problema de Deus apresenta-se por várias vezes na obra escrita por Leonardo Coimbra. Ele formula-se na indagação da prova que se torne evidente e luminosa, como o Amor dantesco que move o Sol e, com ele o ser de todas as criaturas. Tal indagação, longe de ser única ou uniforme para todos os espíritos, é variável segundo o carácter, o temperamento e a afectividade dos adolescentes, os quais, por não encontrarem a prova racional ou experiencial que lhes fale à alma, se tornam sujeitos à malícia das inferiores idolatrias.

Leonardo Coimbra elimina sucessivamente os erros das provas consideradas cousistas, admitidas por pessoas que não aprofundaram as doutrinas religiosas, e recorre a uma apologética dependente dos conceitos de infinito, de sublime e de amor. A teologia há-de, porém, ser sujeita ao exame da teodiceia, que, sendo a doutrina da justiça de Deus, exige a conciliação do bem com o mal. Aos adolescentes, que vivem num ambiente que lhes é adverso, difícil, proibido, parece-lhes evidente a prevalência do mal, quando confessam sucessivamente o cepticismo, o pessimismo e o nihilismo, variantes de uma antropologia sem Deus.

Leonardo Coimbra viveu numa época em que a Escolástica, o tomismo e o aristotelismo ainda não haviam sido dignificados pelo resultado das investigações eruditas que os papas Leão XIII e Bento XV haviam aconselhado e promovido entre clérigos e leigos. A Universidade de Coimbra, na medida em que se mostrava continuadora do ensino dos Jesuítas, expulsos de Portugal em 1759, era tida como reaccionária contra o positivismo de Teófilo Braga e dos seus continuadores. O espírito anti-clerical dos políticos monárquicos e republicanos fomentava um ateísmo que descia dos jornalistas até às massas populares.

A filosofia portuguesa decaiu profundamente ao afastar-se da escolástica e do aristotelismo, tradicionais no país. O Marquês de Pombal, procedendo como quem sabe o que não quer enquanto ignora o que quer, considerava Aristóteles como um filósofo abominável, indigno de ser mencionado nos compêndios escolares, e até mandou cancelar, censurar ou suprimir as referências que eram feitas ao Estagirita na tradução portuguesa do tratado de lógica de António Genovesi. Não prescreveu, porém, qual o sistema filosófico que deveria ser adoptado no ensino universitário, porque o espírito do reformador estava apenas preocupado com o ensino politécnico, quer dizer, da ciência e da tecnologia, enfim, da habilitação sindical.

A decadência dos estudos filosóficos no período do liberalismo religioso, político e económico que sucedeu ao “reinado” do Marquês de Pombal, explica perfeitamente que os estudiosos mais sérios vissem no sistema de Augusto Comte um plano aceitável para a reforma da educação portuguesa. A tal apostolado se dedicou Teófilo Braga, que tendo sido primeiramente atraído por Hegel e Vico, assimilou, ensinou e divulgou o sistema positivista, logo que para tal obteve cadeira no Curso Superior de Letras de Lisboa (1872). Entendia o ilustre professor que a reforma filosófica deve preceder a reforma política, já que tal era a motivação do Partido Republicano Português, mas os revolucionários impacientes e apressados desrespeitaram a ordem normal, impuseram ao País instituições determinadas pela fraseologia mitológica e metafísica, e precipitaram os acontecimentos para o abismo retrógrado que tem sido julgado pelos historiadores esclarecidos.

A filosofia portuguesa, disciplinada durante quatro séculos pelos textos de Aristóteles, traduzidos em latim segundo os comentários de Santo Tomás, não poderia crescer, florescer e frutificar perante a literatura romântica e realista do liberalismo religioso, político e económico. A Universidade não aceitou a lição de Jorge Hegel ou de Augusto Comte, dois escolásticos, na construção da enciclopédia das ciências filosóficas. O século XIX foi, por isso, um século de decadência nos estudos liceais e universitários, e caracterizado por reduzida produção de escritos originais de estudos especulativos.



Em 1868, quando publicou a História da Filosofia em Portugal, Lopes Praça, então estudante de jurisprudência, apreciava com desgosto o atraso em que se encontrava o ensino oficial do nosso país. A reflexão do moço estudioso sobre a filosofia jurídica e a filosofia política dos publicistas portugueses permitiu-lhe augurar um período de confiança benévola no futuro da cultura portuguesa. Merecem transcrição alguns trechos desse notável documento histórico.

Ainda não se criou entre nós uma Filosofia Nacional Característica. Uma das vitórias alcançadas neste terceiro período é a preferência do português ao latim para escrever em matérias filosóficas. A vulgarização e o radicamento da Filosofia Racional entre nós depende muito desta conquista. Se muitos dos nossos Reformadores escreveram ou desejaram que se escrevesse em latim, era só para as Academias e para os sábios; mas amavam a instrução e procuravam pôr a Filosofia ao alcance de todos.

O que falta é uma escola superior junto da Universidade onde a Filosofia seja ensinada em toda a sua altura, a fim de os estudantes subirem devidamente preparados para as diversas faculdades que se destinarem. Este estabelecimento auxiliaria muitíssimo as escolas de instrução secundária e contribuiria para os progressos e radicamento da Filosofia Racional na nossa terra.

Mas admitindo já que nós possamos chegar um dia a imprimir nas Ciências Filosóficas o selo da nova individualidade, é de crer que a Filosofia que houvermos de nos apropriar não seja a idealista. Porque, posto que até hoje haja preponderado nas nossas escolas uma Filosofia imposta e não livremente escolhida, é certo que o génio português não propende para as abstracções aturadas do Idealismo, nem possui suficiente energia para as demoradas generalizações metafísicas de uma Filosofia toda espiritualista. Que um ou outro espírito o consiga, facilmente o acreditaremos; que a generalidade se eleve até ele, é o que as nossas convicções nos não deixam admitir. E aqueles dos nossos Filósofos que pensarem livremente não controvertem o nosso modo de pensar a este respeito.

Não passe muito embora de uma conjectura o que vamos dizer, estamos persuadidos que, a adoptar-se em Portugal uma escola Filosófica, ou a criar-se, só se generalizará e será portuguesa quando se recomendar pelo senso prático e moderação que deu à Escola Escocesa um lugar eminente na História Geral da Filosofia”.

Álvaro Ribeiro, filósofo português, em Memórias de um Letrado.

À sepultura de del-Rei Dom João Terceiro

“Quem jaz no grão sepulcro, que descreve
tão ilustres sinais no forte escudo?
– Ninguém; que nisso, enfim, se toma tudo
mas foi quem tudo pôde e tudo teve.

Foi Rei?- Fez tudo quanto a Rei se deve;
pôs na guerra e na paz devido estudo;
mas quão pesado foi ao Mouro rudo
tanto lhe seja agora a terra leve.

Alexandre será?- Ninguém se engane;
que sustentar, mais que adquirir se estima.
– Será Adriano, grão senhor do mundo?

Mais observante foi da Lei de cima.
– E Numa?- Numa, não; mas é Joane:
de Portugal terceiro, sem segundo.”

Luís de Camões, poeta português, em Sonetos.

Fresca serra

 

“A fermosura fresca serra,
e a sombra dos verdes castanheiros,
o manso caminhar destes ribeiros,
donde toda a tristeza se desterra;

o rouco som do mar, a estranha terra,
o esconder do sol pelos outeiros,
o recolher dos gados derradeiros,
das nuvens pelo ar a branda guerra;

enfim, tudo o que a rara natureza
com tanta variedade nos ofrece,
me está (se não te vejo) magoando.

Sem ti, tudo me enoja e me aborrece;
sem ti, perpetuamente estou passando
nas mores alegrias, mor tristeza.”

Luís de Camões, poeta português, em Sonetos.

Opportunities neglected

“‘Praise,’ said the sage with a sigh, ‘is to an old man an empty sound. I have neither mother to be delighted with the reputation of her son, nor wife to partake the honours of her husband. I have outlived my friends and my rivals. Nothing is now of much importance; for I cannot extend my interest beyond myself. Youth is delighted with applause, because it is considered as the earnest of some future good, and because the prospect of life is far extended; but to me, who am now declining to decrepitude, there is little to be feared from the malevolence of men, and yet less to be hoped from their affection or esteem. Something they may yet take away, but they can give me nothing. Riches would now be useless, and high employment would be pain. My retrospect of life recalls to my view many opportunities of good neglected, much time squandered upon trifles, and more lost in idleness and vacancy. I leave many great designs unattempted, and many great attempts unfinished. My mind is burdened with no heavy crime, and therefore I compose myself to tranquillity; endeavour to abstract my thoughts from hopes and cares, which, though reason knows them to be vain, still try to keep their old possession of the heart; expect, with serene humility, that hour which nature cannot long delay; and hope to possess, in a better state, that happiness which here I could not find, and that virtue which here I have not attained.'”

Samuel Johnson, English writer, in History of Rasselas, Prince of Abyssinia.